16 dezembro 2015

As razões que nos trouxeram até aqui quero versar...


E se a minha voz falhar, é porque não previ realmente que esse momento iria chegar. Eu sonhei, os dias contei, corações desenhei, mas não achei que surpresas ainda poderiam se apresentar. Lembra quando, naquele balanço, você me contou que tinha medo de alturas? Éramos crianças, não tínhamos mais que a idade da infância, mas foi tão diferente para mim poder compartilhar de algo seu, que decidi daquele dia em diante, guardaria seus segredos como se fossem meus. De coração apertado e mãos trêmulas, assisti a todas as suas visitas ao dentista, sempre segurando meia dúzia de pirulitos, que trocaria pelo seu silêncio de ovelha no matadouro, assim que saísse do consultório. Acompanhei suas primeiras aventuras na bicicleta, chorei muitos sorvetes caídos na caixa de areia do parquinho, e saboreei os momentos deliciosos que se seguiam à chegada dos nossos presentes de natal. Saltamos pedras, subimos em árvores, nadamos em riachos rasos. A vida se encarregou de unir nossas histórias de uma maneira única, que pude enxergá-la como uma dádiva que deveria dividir com você, o meu primeiro melhor amigo, meu doce irmão, "adotivo" por consequência. Sobrevivemos às turbulências da adolescência, enquanto via "amigas" aparecerem e desaparecerem da sua vida, deixando marcas e cicatrizes eternas em seu sorriso de menino. Vi o dia em que você conheceu a Deus mais de perto, chorando e admitindo que nunca se sentira tão feliz quanto naquela decisão tomada. Lemos a bíblia juntos, crescemos espiritualmente, e, a cada dia, vi crescer em mim um outro olhar, que eu insisti em negar que existia. Comecei a vê-lo não com os olhos de uma menina que confia todos os seus "segredos" ao amiguinho, ou que gosta de alguém para acompanhá-la nas suas brincadeiras diárias. Nós havíamos crescido, eu cresci, amadurecemos. Percebi que o que eu sentia era bem mais do que simpatia, era saudade aquele pequeno incômodo que permanecia mesmo quando você saía. Era admiração quando entendia que poderia te ouvir falar por horas sem me cansar de sua voz. Minha mente ainda era da menininha que você conheceu, não sabia o que pensar das novas ideias que fervilhavam. Deus fez acontecer, fez com que hoje estivéssemos aqui, relembrando o dia no parquinho, as quedas da bicicleta, os doces do dentista...e disséssemos esse audível SIM, que traduz todo um futuro que virá, outras histórias para contar, viver, compartilhar. E se no processo nossa voz falhar, as razões que nos trouxeram aqui quero versar.
Ps: A história descrita no post é apenas uma ilusão, qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.

2 comentários:

  1. AMEI esse texto, muito lindo e profundo. Adorei a escrita, parabéns!

    Beijo grande,
    www.cafevodkaeliteratura.blogspot.com.br/

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  2. Lindo, parabéns! Gosto de escrever assim também e são poucos os blogs que conheço em que autores se revelam. Acho que não procurei muito bem, não é? Beijos e sucesso, vou te acompanhar!

    Carolina Gama

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