03 maio 2015

[Liberdade] Capítulo 4 - Barreiras


E a vida continua...mesmo que você não esteja preparado(a) para isso, ela não espera que você termine de juntar os cacos do que era seu coração para seguir em frente. Chega de se iludir demais e cair do degrau mais alto da escada emocional. Como já mencionei, aquele não foi o primeiro acontecimento triste que apareceu na minha vida. Eu já estava verdadeiramente saturada de voltar a construir todo o castelo e perder todas as pedras da construção.

É como fazer todos os preparativos para uma viagem tão esperada. Arrumar as malas, programar as passagens, emagrecer uma quantidade apertada de quilos para ficar melhor nas fotos de férias...e no final tudo ser desmarcado por uma razão ou outra. Simplesmente não há viagem, o dinheiro é perdido, as malas abarrotadas de roupas têm que ser desfeitas e os sonhos reconstruídos. Um pequeno drama atual. E você consegue pensar nos pontos positivos do fim de uma viagem? Evidentemente, no momento você só vai conseguir ver a fumaça da sua própria raiva, ocultando todo o resto. Mas depois você descobre que o cancelamento da viagem foi um livramento, às vezes até de morte. Aí você finalmente agradece. Mas só depois que vê um ponto positivo.

Na nossa vida cristã ocorre o mesmo. São muitas as intempéries, muitos os obstáculos e dificuldades que se atravessam no nosso caminho. Acredite ou não, eles vêm para te fortalecer.

Quando uma criança está aprendendo a andar de bicicleta, são muitas as quedas que ela vai dar. Mas pensa que ela desiste? Quanto mais cai, maior é a sua vontade de dominar aquele bocado de ferro que insiste em fazer ela de besta. É essa a determinação infantil que nos falta hoje em dia. Vemos um problema e queremos recuar. Se trancar na sua concha emocional se menosprezando não vai dar em nada, a experiência vai lhe mostrar isso.

Aos 16 anos o meu maior problema era a desilusão. Infelizmente deixei que ela me atacasse com vontade mesmo. Deixei de querer ler a bíblia, não conversava mais com meus amigos, evitava comunicação com toda e qualquer pessoa; me fechava no quarto e só ouvia meus próprios pensamentos. Está claro que a autoajuda não me serviria naquele momento, porque era eu quem estava colocando a cabeça na água para o afogamento. Mas Deus bradou bem forte para mim, que estava me tirando do lodo, o lodo que eu mesmo fiz, e me trazendo para a superfície.

Quem era eu para ir de encontro ao Todo Poderoso? A partir daquele dia, pude sentir a mão forte de Deus sobre a minha vida. Como naquele hino "Se a graça é um oceano estamos afogando..", eu havia mergulhado na graça. Momentos maravilhosos em que a nossa fé passa de 5% para 99,9%, só não alcança o 100 porque ainda somos humanos, e a nossa natureza ainda é dada a dúvidas.

É tão bom quando finalmente amadurecemos e vemos o propósito dos espinhos na estrada. Quem estava comigo era maior que qualquer coisa, Ele mesmo havia me prometido que cuidaria de mim, do meu futuro, dos meus parentes...cuidaria de tudo! Para quê tanta ansiedade? Isso muda alguma coisa, Hellen?

Revoltei-me contra a minha carne. "Na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca." (Mateus 26:41) Quem era ela para ditar o que eu queria fazer? A bília já era meu guia absoluto! Eu queria fazer a vontade de Deus, queria me santificar mais, fazer a obra dEle, e muitas vezes a carne tentava me desviar desse pensamento. Então, usei isso a meu favor.

Quando minha vontade era ir ao Círculo de Oração a carne cochichava:
"Você está tão cansada..." "Mas cansada de quê?" "Você acorda muito cedo, trabalha muito.." "Por isso mesmo, eu vou para descansar a minha alma!" "Você está tão rouca hoje, passe o dia em silêncio.." "Não preciso orar alto, Deus sabe minhas limitações humanas, eu vou assim mesmo!"

Quando o corpo dizia: não, eu me levantava na hora e ia para a igreja. Voltava regozijada, com a alma leve...O não para mim era sim. Trabalhei na obra por prazer, e não por obrigação. E cada vez mais eu me distanciava do mundo, cada vez mais os assuntos terrenos me desinteressavam. Você já chegou neste nível? Em que seta nenhuma te alcança? Você nem ouve mais os apelos da mídia, nem enxerga as influências, depende unicamente da presença de Deus na sua vida.

Muitos anos se passaram, anos em que promessas foram feitas. "Continue sendo fiel ao que Deus te deu, continue fazendo a sua obra..."; "Deus já tem um plano traçado para a sua vida, mas você terá que aprender a esperar". A frase mais frequente me impulsionava a esperar. Quando a tristeza ameaçava aparecer no horizonte, as promessas eram relembradas com muita clareza. E mais uma rua era trilhada.

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