09 abril 2015

# Romântica

A Resposta


Ela levava uma pequena bolsa nas mãos e uma bíblia bastante usada ao longo do tempo, da qual nunca se separava. Percorria aquele caminho todos os dias, já sabia ir de olhos fechados, se o trânsito não existisse. Mas naquele dia o caminho parecia diferente, de alguma forma parecia mais curto, mais colorido, menos barulhento. Acredito que só ela pensasse dessa forma, muitos comerciantes gritavam os preços dos seus legumes, carnes e outros produtos. A algazarra estava instalada, mas ela apenas seguia em frente, os olhos perdidos no horizonte.

Até que chegou ao seu destino desejado. Entrou pela porta da frente e ajoelhou-se no último banco disponível, onde ninguém poderia encontrá-la ou suspeitar da sua presença. Seus joelhos mal tocaram o chão, seus olhos derramaram lágrimas quentes sobre o rosto. Lágrimas sinceras que ela estivera escondendo todo o dia em seu coração amargurado. Ainda era tão nova, tão inexperiente, tão inconsciente do que era a paciência...

Todos os dias fazia o mesmo pedido a Deus, nunca o revelou a ninguém, mas o Pai dos céus já sabia tudo o que ela queria dizer quando só os soluços conseguiam ultrapassar seus lábios. Ele a ouvia, embora ela pensasse que estava sozinha no escuro, Deus a confortava. Aquela era a sua noite, era algo que deveria ser enfrentado individualmente, e ela sabia. Mas não aguentava mais. Quantas noites durariam essa "noite"? Perguntava-se todos os dias.

De longe poderia ouvir-se apenas um sussurro baixo em que nada se entendia. Ninguém poderia entender o que ela sentia. Ninguém poderia ajudá-la, mesmo que quisesse. Uma música suave começou a ouvir-se na congregação, uma música que tocou-a profundamente naquela tarde. Levantou-se, enxugando os olhos e tentando ocultar o que a sua mente insistia em lembrar. Adorou com a alma, agradeceu ao criador por mais um dia na sua presença e sentiu que Deus estava bem presente, do seu lado. Mesmo estando nos últimos bancos, foi tocada pela mensagem que foi transmitida lá no púlpito.

Terminou a tarde com uma alegria profunda em seu coração. Deus havia falado com ela, deixado uma promessa. Ela sabia que já não faltava muito para o seu cumprimento, e a sua alma exultava ao pensar que na sua noite o sol já começaria a brilhar. Seu olhar não era mais de tristeza, seu sorriso continuava sempre vivo. Assim retirou-se, cumprimentando todos e deixando uma palavra de conforto para os que também estavam precisando.

Parecia que o dia já tinha terminado, caminhou lentamente pela estrada que a levaria de volta para casa. Mas de súbito alguém chamou-a pelo nome. Uma voz muito conhecida, que já estava gravada em sua mente  há muito tempo. Não...ela estava sonhando, não poderia ser verdade. Mas era impossível ser imaginação, era tão real!

Foi então que ela virou-se para ver quem a chamava. E com um sorriso acenou para a voz, que recebeu aquele cumprimento com um um sorriso ainda maior. Mais feliz do que nunca ela pôde entender agora o porquê daquela noite. Percebeu que, enfim, a sua resposta havia chegado.

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